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A Vingança
O Pequeno Paulo entra em sua casa, depois da aula, pisando forte. Seu pai, que ia à horta, no fundo do pátio para trabalhar, ao ver aquilo chama o menino para conversar. Paulo, de oito anos de idade, o acompanha desconfiado. Antes que seu pai dissesse alguma coisa, fala irritado:   -“Pai, estou com muita raiva”.Daniel “não deveria ter feito aquilo comigo. Desejo que algo muito ruim lhe aconteça”.   Seu pai, um homem simples, porém cheio de sabedoria, escuta calmamente o filho que segue reclamando.   -“Ele me humilhou diante de meus amigos. Não aceito. Eu gostaria que ele adoecesse e não pudesse ir a escola”.   O pai escuta tudo calado enquanto caminha até o lugar onde guardava um saco de carvão. Levou o saco até o fundo do quintal e o menino o acompanhou, calado. “Paulo” vê o saco aberto e antes que pudesse fazer uma pergunta, o pai lhe propôs algo:   -“Filho, faça de conta que aquela camisa branquinha que está secando no varal é seu amiguinho, e que cada pedaço de carvão é um pensamento mau teu, direcionado a ele. Quero que atire todo o carvão do saco na camisa, até o último pedaço. Depois volto para ver como ficou”.   O garoto pensou que seria um jogo divertido e pôs mãos a obra. O varal com a camisa estava longe e poucos pedaços acertaram o branco. Uma hora passou e o garoto terminou a tarefa. O pai, que espiava tudo de longe, se aproxima do garoto e pergunta:   -“Filho, como te sentes agora?”. -“Estou cansado, mas estou contente porque acertei muitos pedaços de carvão na camisa”.   O pai olha o garoto, que fica sem entender a razão daquele jogo, e carinhoso lhe diz: - “Venha comigo até o quarto, pois quero mostrar uma coisa”.   O filho o acompanha e é colocado frente a um grande espelho onde se vê todo seu corpo. Que susto!   Só conseguia ver seus dentes e seus olhinhos. O pai então diz carinhosamente:   -“Filho, viste que a camisa quase não se sujou; mas olhe-se. O mal que desejamos para os outros é como o que te aconteceu. Por mais que possamos incomodar a vida de alguém com nossos pensamentos, a imundície, os resíduos, o pó fica sempre em nós mesmos”.