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Poesias
PRAÇA XV Autora: Margareth Berlim - 1980   Num dia quente de abril, entre pessoas mil, um pivete ali chegou não para roubar ou matar, mas lutar e trabalhar.   - Compre bala meu sinhô, eu também sou do Brasil, vamos moço, ser gentil. Tenho pai, mãe lá no morro, tenho irmão, irmã, avô, são doente, magro, fraco, eu tenho que trabalha pra ajuda... Isso moço, obrigado. Deus lhe dê em dobro esse bucado, E você garotinha, de que vai? Um chiclete, um caramelo? Pensa rápido, senão a barca sai... E agora senhorita, Puxa... Que moça bonita! Fica com um chocolate? Leva pro menininho em casa E me ajuda... Dá licença meu sinhô, me ajuda no troco purfavô. E agora quem qué mais? Chiii. Já deu o sinal, A barca vai sair... Deixa primeiro eu ir... Oi seu motorista, dá licença pra eu vende? Doces, bala, torradinho amendoim...   Assim é a vida na Praça XV, todo dia a qualquer hora, há sempre alguém que chora, muitos ignoram também a triste sorte que muitos meninos têm, vão embora , dão os ombros, a Praça XV hoje retrata, os homens pobres que a Cidade Maravilhosa tem...